Novo Momento

Orestes Camargo Neves

Paulo e Antonio

Toda discriminação é insana e inumana. Nunca se diminua e nem se considere superior a alguém. Estenda as mãos a partir de hoje, para as pessoas que pensam diferente de você. Você também comete erros e nem sempre é fácil de suportá-los. A reflexão de Augusto Cury é uma provocação, de nossa parte, àqueles que se julgam imparciais e desprovidos de visões preconceituosas. É necessário que estejamos imersos num exercício permanente de auto-análise para ver se não estamos sendo atraídos, ainda que inconscientemente, na armadilha da soberba.

A introdução acima é uma tentativa de desarmamento de espírito para aqueles que analisam as pessoas mais pelas aparências do que pelo conteúdo. Pois é, conheço duas pessoas públicas às quais o pensamento de Cury parece se aplicar.

Um é Antonio, americanense da gema, descendente de ancestrais europeus que, provavelmente, como muitos imigrantes, viviam em condições precárias e vieram com muita coragem e determinação “fazer a América”. Antonio nasceu e cresceu dentro de um padrão de vida familiar que lhe proporcionou a oportunidade de acrescentar um “Dr.” a frente de seu nome, ao qual ainda pode acrescentar outro nome para dar-lhe um diferencial. É um lídimo representante de um grupo que, um dia, foi discriminado e pejorativamente rotulado. Hoje, esta casta de munícipes, ascendeu social e culturalmente e passando de discriminada a discriminadora.

O outro é Paulo que, como algumas dezenas de milhares de americanenses, veio arriscar “fazer a Americana” (desculpem-nos pela paráfrase) para fugir de precárias condições de vida e, com não menos coragem e determinação, veio com seus familiares tentar a vida algumas centenas de quilômetros adiante. Teve que se dedicar ao trabalho precoce, em detrimento dos estudos, e o nome composto foi substituído pelo apelido irônico. Apesar de fazer parte de uma maioria é discriminado ao invés de discriminar.

Ironicamente, Antonio e Paulo, por méritos e desígnios da vida, postam-se perante a comunidade de igual para igual. Como bem disse Nelson Rodrigues: “Deus está nas coincidências”?

Orestes Camargo Neves

Brâmanes e Dálits

Queiram intelectuais e conservadores admitir ou não, as novelas televisivas são parte integrante da cultura nacional. A ponto de o presidente Lula se deixar influenciar pelas pregações de Opash e transformar Sarney num brâmane. Para ele: "Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". E que histórias, hein??? Mas, num verdadeiro arroubo de lucidez, Lula pondera que  "Essa história precisa ser melhor explicada." E que “Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada".

 

Diferentemente da Índia conservadora, onde existem várias castas e alguns que são considerado intocáveis e aos quais não é dado nem o direito de pertencer a uma casta, no Brasil existem duas castas informais: as pessoas comuns e os intocáveis. Acho que o neo-brâmane Lula quis dizer é que as pessoas comuns são aquelas que, se roubarem uma maçã na feira para matar a fome, vão ser presas junto a estupradores, traficantes e assassinos e julgadas culpadas (nesta ordem dos fatos). Já os intocáveis brasileiros são os que podem dar golpes bilionários no fisco e terão direito a cela especial e habeas corpus (também, nessa ordem dos fatos).

 

Mas, o que me preocupa é a questão do ”depois não acontece nada”. O que vemos no país é uma avalanche de denúncias que acabam em pizza. Num país onde um ministro do Supremo diz, em rede nacional de TV, ao presidente da mesma instância que este não estava falando com os seus “capangas de Mato Grosso” e isso não gera conseqüência nenhuma, concluo que a justiça brasileira fez transplante de córnea e, para nossa preocupação, foi bem sucedida. Pena que ela só tenha olhos para os intocáveis.

 

O descuido verbal de Lula - apenas mais um - é o retrato da justiça social deste país. Às pessoas comuns cabe assistir, no Jornal Nacional, ações de prisão pirotécnicas para se sentirem iludidos de que “rico também vai para a cadeia”. Pobres inocentes, no Brasil, os ricos vão sempre para a cadeia, mas a da felicidade...

Em tempo: acessem o site http://www.deunojornal.org.br.!

 

Orestes Camargo Neves

 

 

           

 


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